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Emerson Amorim

AI Agents

Agentic AI: o que é, como funciona e como arquitetar sistemas de agentes em produção

Definição operacional de Agentic AI, componentes de arquitetura (planner, ferramentas, memória, políticas) e critérios para levar agentes de IA à produção no Brasil e em ambientes enterprise.

Por Emerson Amorim16 min de leitura

Agentic AI é a engenharia de sistemas em que modelos de linguagem planejam, escolhem ferramentas e executam passos sob políticas explícitas. Não é um chat com plugins. É um runtime com contratos, limites de autonomia e evidência de que a tarefa foi concluída com segurança.

O que é Agentic AI

Em termos operacionais, Agentic AI descreve aplicações que: (1) recebem um objetivo, (2) decompõem o trabalho em passos, (3) invocam ferramentas com efeito colateral controlado, (4) observam o resultado e (5) decidem continuar, pedir ajuda humana ou encerrar. O LLM é o motor de decisão. A arquitetura é o que torna a decisão auditável.

  • AI Agent: unidade que persegue um objetivo com loop de decisão
  • Agentic system: conjunto de agentes, orquestração, memória e políticas
  • Agent Harness: camada que valida, autoriza, registra e interrompe ações
  • Tool: capacidade tipada (API, banco, fila, UI) com risco declarado

Agentic AI versus chatbot versus workflow

DimensãoChatbotWorkflow determinísticoAgentic AI
EntradaMensagemEvento / formulárioObjetivo + contexto
ControleTurno único ou curtoGrafo fixoPlanner + políticas
FerramentasOpcionais e rarasSteps pré-definidosCatálogo tipado
Falha típicaResposta fracaExceção de stepLoop, tool misuse, drift
Quando usarFAQ e suporte leveProcesso estávelTarefa com incerteza útil

A pergunta correta não é “vamos usar agentes?”. É: o problema tem incerteza suficiente para justificar um planner, e o ambiente tem maturidade para governar side effects?

Componentes da arquitetura de agentes

┌──────────── Experience ────────────┐
│  App / API / Canal                 │
└───────────────┬────────────────────┘
                ▼
┌──────────── Orchestrator ──────────┐
│  Roteamento, quotas, sessão        │
└───────────────┬────────────────────┘
                ▼
┌──────────── Agents ────────────────┐
│  Planner · Critic · Especialistas  │
└───────────────┬────────────────────┘
                ▼
┌──────────── Harness ───────────────┐
│  Policy · Schema · Timeout · HITL  │
└───────────────┬────────────────────┘
                ▼
┌──── Tools / RAG / Memory / APIs ───┐
└────────────────────────────────────┘
                │
                ▼
         Traces · Eval · Cost
Camadas: experiência → orquestração → agentes → harness/ferramentas → dados/memória → observabilidade.

Planner e agentes especialistas

O planner decide o próximo passo. Especialistas (pesquisa, código, finanças, suporte) recebem escopos estreitos. Um único agente “faz-tudo” escala mal em qualidade e em risco. No KingFy, a especialização por domínio é deliberada: reduz ambiguidade de ferramenta e facilita avaliação.

Ferramentas e contratos

Toda ferramenta precisa de nome estável, schema de entrada, classificação de risco (leitura, escrita, irreversível), timeout e telemetria. Credenciais ficam no runtime. O modelo vê handles e resultados, não segredos.

Contrato mínimo de ferramenta
type ToolRisk = "read" | "write" | "irreversible";

type AgentTool<TIn, TOut> = {
  name: string;
  risk: ToolRisk;
  description: string;
  parse: (raw: unknown) => TIn;
  run: (input: TIn, ctx: { tenantId: string; runId: string }) => Promise<TOut>;
};

function assertAllowed(tool: AgentTool<unknown, unknown>, role: string) {
  if (!policyAllows(role, tool.name, tool.risk)) {
    throw new Error(`denied:${tool.name}`);
  }
}

Memória e retrieval

Separe memória de sessão (o run atual), memória de usuário (preferências e histórico permitido) e conhecimento corporativo (RAG com ACL). Misturar tudo no mesmo prompt aumenta custo e vazamento. Context Engineering define o que entra na janela; memória define o que persiste entre runs.

Políticas e human-in-the-loop

Autonomia graduada: leitura livre dentro do ACL, escrita com quotas, ações irreversíveis com aprovação humana. Sem isso, “Agentic AI Brasil” vira piloto de risco em produção financeira ou de dados sensíveis.

Como funciona o loop em produção

  1. Receber objetivo e contexto autenticado (tenant, papéis, orçamento)
  2. Planejar o próximo passo com evidência do estado atual
  3. Propor ação de ferramenta com argumentos estruturados
  4. Validar schema e política no harness
  5. Executar com timeout, retries limitados e compensação quando couber
  6. Registrar observação e custo; avaliar se o objetivo foi atingido
  7. Continuar, escalar para humano ou encerrar com resultado tipado

Checklist de produção para Agentic AI

ÁreaMínimo aceitávelSinal de imaturidade
IdentidadeAuthN/AuthZ por tenant e papelChave única compartilhada
FerramentasCatálogo versionado + schemaFunções soltas no prompt
ObservabilidadeTrace por step + custoSó log de request HTTP
AvaliaçãoCasos de ouro + regressãoTeste manual esporádico
ParadaCritério explícito de done/failLoop até estourar tokens
SegurançaDeny by default + HITLAutonomia máxima por padrão

Sistemas multiagentes com responsabilidade

Multi-agent architecture só vale a pena quando papéis são claros e a orquestração é auditável. Sem ownership de estado, você multiplica custo e falhas. Prefira um orquestrador com especialistas a um enxame de agentes conversando sem contrato.

  • Um dono do estado do run (orquestrador)
  • Mensagens tipadas entre agentes, não prosa livre sem schema
  • Limite de handoffs e de profundidade de planejamento
  • Métricas por agente: sucesso de tarefa, violações de política, custo

Quando não usar Agentic AI

  • Processo com regras estáveis e baixa incerteza: use workflow ou serviço
  • Consulta factual com corpus estável: RAG bem feito pode bastar
  • SLA de latência rígido com orçamento mínimo: o loop multi-step custa
  • Ambiente sem auditoria nem ACL: não exponha side effects

Caminho prático no Brasil e em enterprise

Comece por um domínio estreito com valor claro (triagem, conciliação assistida, geração com ferramentas de leitura). Instrumente harness e avaliações antes de ampliar autonomia. A arquitetura de agentes de IA amadurece por evidência operacional, não por demonstração de framework.

Emerson Amorim aplica esse padrão em produto (KingFy) e em consultoria de AI Engineering: Agentic AI só entra em produção quando contratos, políticas e observabilidade estão no mesmo nível de exigência de um sistema enterprise.

Perguntas frequentes

O que é Agentic AI?
Agentic AI é a engenharia de sistemas em que modelos planejam, escolhem ferramentas e executam passos sob políticas explícitas, com auditoria, limites de autonomia e critério de parada. Não é apenas um chat com plugins.
Qual a diferença entre Agentic AI e um chatbot?
Chatbots respondem turnos curtos. Sistemas agentic perseguem objetivos com loop de decisão, catálogo tipado de ferramentas, harness de políticas e observabilidade por step.
Como arquitetar agentes de IA em produção?
Separe experiência, orquestração, agentes, harness/ferramentas, dados/memória e observabilidade. Exija schema, ACL, human-in-the-loop para ações irreversíveis e avaliações contínuas.
Quando não usar Agentic AI?
Quando o fluxo é determinístico, a latência é rígida, o orçamento é mínimo ou não há auditoria/ACL para side effects. Nesses casos, workflow, serviço ou RAG costumam ser melhores.